Governo examina de perto negociações entre as Teles
O sistema de telefonia é uma peça-chave no desenvolvimento de um país, bem como extremamente necessário a cada um de nós. Nossos avós viviam bem sem um telefone em casa. Nossos pais viviam bem sem um celular. Hoje, para nós, não é possível ficar sem um ou outro; da mesma forma que há uns 5 anos não se falava em acesso à internet pelo celular aqui no Brasil. Nossos filhos não entenderão como vivíamos sem ela.
No início, o mercado de telefonia estava restrito a uma única empresa (aqui no Rio era a TELERJ e vocês não fazem ideia do lixo que era). Com o passar do tempo e a privatização, ficamos com a Telemar (buááááá), que depois passou a se chamar Oi, que eu amo de paixão. Enfim, o que ainda temos? Sim, monopólio. Só depois que surgiu a Vésper com aquele seu telefone sem fio, mas que não servia nem pra usar internet discada. Hoje temos o Telefone Livre, com o qual não tenho nenhuma experiência de uso.
No campo da telefonia celular, como sempre, tudo começava com filas imeeeeeeeensas e planos-expansão doidos, onde o mercado negro imperava. Lembro que meu irmão comprou, em 1995, um Motorola tijolão – acho que Microtac, não lembro – por 2000 reais (sim, 2 MIL reais há 15 anos era uma grana considerável, ainda mais para fazer e receber ligações apenas e sem telinha cheia de sacanagem). Atualmente, temos uma penca de empresas, como a Claro, TIM, Vivo e Oi. Isso significa que há uma competitividade entre elas, onde as empresas bajulam seus clientes e você tem uma guerra sobre quem presta os melhores serviços, certo?
Bom, se você acredita nisso, você não é um pobre coitado desinformado. É um idiota! Ou lhe darei uma chance, dizendo que você não mora aqui no Brasil.
Não há competitividade. Muito mal nos planos fixos, mas que não são tão competitivos assim. Nos planos pré-pagos ou “de cartão”, os preços pelos minutos são invariavelmente os mesmos. Dane-se a pobretada, favelados e professores de Química que escrevem em blogs. E isso quando não nos roubam em nossos minguados reaizinhos, inscrevendo-nos em parceiros loucos à nossa revelia.
O Governo (sim, nós temos um. Pelo menos, é o que dizem), que não é bobo nem nada, sabe da zona que é a nossa telefonia, mas quem se importa? De qualquer forma, começou a se preocupar quando a Portugal Telecom (que, dizem, ser propriedade do Cognitivo) fez acordo de compra de 22,4% da Oi por até R$ 8,44 bilhões. Ou seja, agora, mais de 1/5 dos problemas que eu tiver com meu telefone será por culpa dos portugueses. Enquanto isso, a Telefônica (famosa entre o pessoal de Sampa pelo maravilhoso serviço que presta) anunciou compra de uma fatia na Vivo. Os clientes estão chorando de emoção e o Governo está vendo isso tudo com reserva.
Mas o que isso significa e o que mudará em nossas vidas? Simples: nada. Continuará sempre a mesma coisa.
De acordo com especialistas consultados pelo jornal O Globo, as compras levam a uma maior concentração do setor sem sinal de melhora da qualidade do serviço, muito menos de redução das tarifas. Enquanto isso, outros acreditam de pés juntinhos que isso permitirá maior competitividade e, no futuro, queda nos preços de serviços. Para essas pessoas, eu só tenho a dizer uma coisa:
ACORDA, ALICE!
Não haverá competitividade, bando de antas! Pelo contrário! Estamos caminhando para um novo monopólio; e mesmo que isso não aconteça, que diferença faz? No Brasil não existe competição, existe cartelização! Vide planos de saúde. Só um bronco para acreditar que tais negociações melhorarão o serviço me queda nos preços.
Citado nesta mesma reportagem, Guilherme Varella, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), vê que os critérios para a realização de fusões deveriam ser a melhoria da qualidade do serviço e do atendimento ao cliente. Só que isso não acontece. Por quê? Porque não faz diferença. Como eu disse, não podemos viver mais sem um telefone, nem que seja somente em casa ou somente um celular. Pensem bem: quantos telefones públicos (carinhosamente chamados de “orelhões”) vocês têm visto por aí? E destes, quantos estavam realmente funcionando? Pois é. Preciso continuar? Necessitamos dos serviços e de quem compraremos? Assim, acabaremos nos sujeitando. Não é o caso de simplesmente não comermos mais carne de porco se ela estiver cara. É algo similar aos medicamentos: pessoas doentes precisam deles. Ponto final. Com os genéricos, muita coisa mudou, mas nem todos podem tomar genéricos, e nem existe genérico para todo tipo de medicamento. Como fica, então?
A Anatel – que normalmente nunca resolve nada – e o CADE se direcionaram para o caso da TIM. A Telefónica, ao comprar as ações da Portugal Telecom na Vivo e, passando a controlar a empresa, provavelmente terá de desfazer da sua participação na TIM. Isto porque a companhia espanhola aumentará substancialmente a sua fatia no mercado de telefonia móvel no país. Juntas, a TIM e a Vivo detém mais de 99 milhões de clientes, segundo outra reportagem do Globo. São muitos clientes, muitos escravos de péssimos e caros serviços. Isso aliado ao fato da profusão de impostos embutidos, já que o Governo adora nosso rico dinheirinho.
A conclusão disso tudo é: Não importa as negociações ou negociatas que façam. O serviço não vai melhorar. O serviço não ficará mais competitivo. O serviço não ficará mais barato. Tudo ficará como d’antes no quartel de Abrantes, e só nos resta seguir nossa vidinha, pagando caro por serviços porcos, com aparelhos caríssimos, presos a planos tão escorchantes que o melhor seria chamá-lo de “matrimônio”.



























































Mas esse é o problema – só críticas – precisamos de soluções.