Modernas notícias de assuntos antigos
Uma das vantagens da Internet é, segundo dizem, estar em cima das novidades, termos ciência do que se passa pelo mundo e estarmos sempre bem informados sobre tudo o que acontece. É uma nova ferramenta de informação, trazendo assuntos relevantes até nós. Cada pessoa tem a sua própria definição sobre relevância, entretanto.
Eu particularmente gosto do site da BBC Brasil, cujo RSS eu acompanho, bem como alguns de seus colunistas. Não está tão atualizada quanto sua irmã que bebe chá das 5, mas pelo menos acompanho de uma maneira geral o que acontece pelo mundo afora. Um dos colunistas que acompanho é o Ivan Lessa, cuja coluna de hoje me causou uma certa surpresa.
A bem da verdade, a coluna per se não me causou estranheza e sim o que dela adveio. Ele comenta sobre o uso de celulares pelas pessoas, num texto intitulado Alô, alô! Conversa privada!, onde faz menção sobre uma pesquisa do dr. Charles Gerba, um microbiólogo da Universidade do Arizona. E é aqui que a coisa fica estranha.
A estranheza nem é tanta pela pesquisa do dr. Gerba, a qual infere que telefones celulares possuem maior quantidade de bactérias do tipo estafilococo do que até mesmo vasos sanitários. Não é de se estranhar isso, posto que temos maiores hábitos de higiene com nossos banheiros, reconhecidos por servirem de destino final aos nossos resíduos metabólicos daquela maravilhosa feijoada que costumamos comer ou outros quitutes similares (ou não tão similares assim, mas disperso-me). Tomando por base que estamos sempre limpando nossos banheiros (ou nossas esposas ou empregadas ou seja lá quem for), mas não limpamos nossos apetrechos com tanta atenção, é claro que nossos celulares acabam sendo foco da ninhada daqueles malditos seres microscópicos.
Muitas (e esse “muitas” não é força de expressão) pessoas não possuem o hábito de lavarem sequer as mãos depois de irem ao banheiro. Pensem nisso depois de cumprimentar alguém; e isso vale até meso para aquelas moçoilas de nariz empinado, achando-se o máximo por comprarem um perfuminho francês, mas com hábito de higiene pior do que sudras indianos (não que franceses sejam conhecidos pelo sua higiene também).
Lessa, cuja coluna foi publicada pelo Estadão também (assim, até eu tenho site jornalístico), comenta a pesquisa do dr. Gerba, o qual eu transcrevo um trecho:
(…) pesquei uma para valer num jornal. A manchete dizia tudo: “O que é mais sujo, um celular ou o assento de uma privada?” A resposta vinha no texto, baseada na opinião abalizada do microbiólogo Chuck Gerba, de nacionalidade britânica, aqui radicado, e que comentava uma pesquisa feita em Nova York pela ABC News que saiu pela rua, sem celulares, pelo que depreendi, perguntando às pessoas o seguinte: “O que o senhor, senhora ou senhorita acha que é mais sujo: a sola de seu sapato, o assento de uma privada ou um telefone celular?” Mais de 90% dos arguidos responderam que era o assento da privada. Erraram redondamente. Segundo pesquisas americanas, agora endossadas pelo supracitado Chuck Gerba.
Isso me interessou. Claro que eu fazia ideia de tal coisa, já que é sabido que teclados são imundos, principalmente se você é daqueles que come salgadinho perto do micro (CONFESSE!), mas pesquisei assim mesmo e me embrenhei na selva internética por muito tempo até achar esta pesquisa (coisa de uns 15 segundos). Realmente, o dr. Gerba fez esta pesquisa e ela fora publicada na ABC News… em 2006!
O título do artigo era What’s dirtiest, cell phone or toilet seat? (O que é mais sujo: telefone celular ou assento sanitário?).
Se vossas mercês ainda não entenderam o ponto onde quero chegar, explicar-vos-ei. Em tese, as notícias, colunas e blogs espalhados pelo ciberespaço deveriam ser o mais atualizados possível, Qual o significado de mencionar um artigo, pesquisa ou seja lá o que for que data de 4 anos? Uma coisa é você escrever um artigo e mencionar tal pesquisa ou notícia, desde que você mencione sua data. Caso contrário, fica um gosto amargo por inferir que a maioria das pessoas são idiotas (e de fato o são) e não conferem nada dos que lhes é apresentado.
O sabor amargo não é por inferir que a maior par5te de nós é idiota, e sim por que há uma prova de tal proposição, já que as pessos realmente não averiguam nada, não procuram saber mais, não pesquisam, não fazem nada. Lessa poderia simplesmente dizer que a pesquisa do dr. Gerba infere que pessoas que usam celulares podem se contaminar com ondas eletromagnéticas afetam o código genético das pessoas, transformando-os em criaturas assexuadas, fazendo com que seus órgãos genitais encolham a cada chamada feita ou recebida. Bem capaz das pessoas acreditarem (acabei de vender meu celular).
Com toda a informação disponível, a população ainda está presa ao que seus repórteres, apresentadores ou a mídia de uma maneira geral dizem ou fazem. Aceita-se passivamente e basta um exemplo como este que eu mencionei para demonstrar que as pessoas preferem a alienação do que perder alguns 10 segundos para saber mais. A pesquisa do dr. Gerba realmente existiu, mas e se fosse apenas uma invenção? E quando jornalistas floreiam demais a notícia, fazendo com que ela se torne distorcida? Há casos onde até mesmo mortos poderiam ressuscitar.
Em resumo, a Internet não cumpriu a ideia de deixar as notícias e informações mais acessíveis. Ninguém se importa, ninguém procura saber. Ver um blog, artigo etc na internet e uma placa afixada num poste dá no mesmo. Na Roma Antiga, representantes do governo ficavam nos Fóruns romanos declamando as notícias e deliberações. As pessoas passavam, ouviam, acreditavam e seguiam com suas vidas adianta. Muitos séculos se passaram e o mundo continua o mesmo, porque as pessoas continuam as mesmas.
Seria pessimismo dizer que daqui seria para pior?



























































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“Em resumo, a Internet não cumpriu a ideia de deixar as notícias e informações mais acessíveis.”
Mas ainda assim me parece que você acessou essa notícia de 2006 com uma certa facilidade.
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Ao meu ver a Internet facilitou o acesso à notícias e informações sim, algumas pessoas que resolvem não procurar, mas aí a culpa não é mais da internet. É como dizer que a antena do celular não servia pra manter a linha porquê algumas pessoas usavam como cotonete e isso prejudicava o sinal. O uso que o homem faz dos recursos nem sempre é o melhor. ;P
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Sobre a notícia em si… Se eu tivesse lido isso eu não iria procurar as fontes simplesmente porquê eu não me importaria, jornalista vive dizendo besteira sobre tecnologia, e quando eles resolvem falar de “pesquisas”, pior, e se fala em “o que é mais sujo”, pior ainda.
Ao meu ver a Internet facilitou o acesso à notícias e informações sim, algumas pessoas que resolvem não procurar, mas aí a culpa não é mais da internet.
E quem culpou a Internet? Como se culpa algo inanimado?
É como dizer que a antena do celular não servia pra manter a linha porquê algumas pessoas usavam como cotonete e isso prejudicava o sinal. O uso que o homem faz dos recursos nem sempre é o melhor.
Mas se eu faço um projeto de uma antena e ela não serve a que se destina, a I-D-E-I-A da antena não se tornou real. Independente do que a impediu.
Grandes portais, jornais etc, precisam de conteúdo, e quando o dia está improdutivo, esse tipo de coisa acontece.
Vejo que estamos caminhando para uma única fonte de informação, com todos os demais copiando largamente. E isso é muito perigoso.
Talvez Ivan Lessa tenha tido uma intenção interessante com a comparação, mas falhou, como corretamente foi apontado no texto, no approach, em minúncias da informação.
E você está certíssimo em apontar as falhas.